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Estudo destaca normalização de problemas de saúde em raças braquicefálicas e sugere soluções

Escrito por Vet Conecta

08 JAN 2025 - 09H00

Um novo estudo conduzido pelo Royal Veterinary College (RVC) revela as barreiras precetivas que dificultam as melhorias no bem-estar de cães braquicefálicos, como Buldogues Franceses, Pugs e Buldogues Ingleses. A pesquisa identifica que um em cada sete tutores dessas raças acredita que “nada” os impediria de adquirir um cão braquicefálico, mesmo perante os problemas de saúde associados a estes animais.

Entre os principais problemas de saúde estão o alto risco de desenvolver condições respiratórias, devido ao seu rosto achatado, condições oculares, devido aos seus olhos esbugalhados, e infeções de pele, associadas às dobras profundas na pele.

Realizado em parceria com investigadores da Blue Cross, instituição de bem-estar animal do Reino Unido, este estudo envolveu uma pesquisa online com tutores de cães do Reino Unido, incluindo aqueles que atualmente possuem cães braquicefálicos “extremos” (E-BC, como Bulldogs Franceses), cães braquicefálicos leves-moderados (M-BC, como Boxers) e cães não braquicefálicos (não BC, como Labrador Retrievers).

Analisando os resultados de mais de 2000 participantes, a equipa de pesquisa, liderada por Rowena Packer, professora sénior em Comportamento de Animais de Companhia e Ciência do Bem-Estar no RVC, identifica como as perceções humanas de cães braquicefálicos podem inibir campanhas que visam a melhoria do seu bem-estar. Estas incluem:

  • Normalização de problemas de saúde: As dificuldades respiratórias ou incapacidade de se exercitar são vistas como características normais e até desejáveis;
  • Preferência por “preguiça”: Muitos tutores valorizam a “preguiça” nas raças braquicefálicas, sem perceber que isso pode ser resultado de sérios problemas respiratórios ou musculoesqueléticos;
  • Desinformação sobre a saúde: Cerca de um terço dos tutores de cães braquicefálicos acreditam que a conformação extrema não reduz a expectativa de vida dos animais, contrariando evidências científicas;
  • Impacto das redes sociais: Tutores de cães braquicefálicos extremos são mais propensos a adquirir os seus cães através das redes sociais e a compartilhar vídeos dos pets nessas plataformas, perpetuando a popularidade dessas raças.

Soluções propostas

Com base nas descobertas, os investigadores do RVC sugerem estratégias para combater os equívocos e melhorar o bem-estar destas raças:

  • Educação pré-compra: Fornecer informações claras e baseadas em evidências nos canais onde os futuros tutores procuram informações, como sites de venda de animais;
  • Promoção de raças alternativas: Oferecer alternativas de raças que atendam às preferências dos tutores, mas sem os problemas de saúde e bem-estar associados;
  • Narrativas humanas: Usar histórias reais de tutores cujos cães sofreram devido à conformação extrema, para maior impacto emocional;
  • Desmistificação de crenças: Focar nas consequências, como mortes prematuras, para desconstruir a ideia de que características como ronco ou “preguiça” são desejáveis.

Rowena Packer, professora sénior em Comportamento de Animais de Companhia e Ciência do Bem-Estar no RVC e principal autora do estudo, refere que “o sucesso limitado de campanhas que tentam lidar com a popularidade de cães braquicefálicos é uma frustração crescente dos setores de bem-estar animal e veterinário. Esta pesquisa destaca a normalização generalizada de sinais de saúde precária em cães braquicefálicos. Outra grande preocupação é a proporção substancial de tutores de cães braquicefálicos extremos que consideram que nada pode impedi-los de adquirir estas raças problemáticas”.

Para lidar com a crise dos braquicefálicos, a profissional elenca algumas estratégias futuras. “Mais do que apresentar dados puramente baseados em saúde em locais públicos genéricos,” devem “oferecer positivamente possíveis raças alternativas, desmistificando crenças falsas e alavancando histórias humanas de tutores braquicefálicos para ter maior impacto. Além disso, direcionar especificamente essas mensagens em redes sociais e plataformas de venda de animais pode aumentar a sua eficácia.”


Fonte: Veterinária Atual

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